Prevenção cardiovascular
Escore de cálcio coronariano: o que é, para quem serve e quando pode mudar a conduta
O escore de cálcio pode revelar placas nas artérias do coração antes mesmo de surgirem sintomas. Entenda para quem o exame é útil, como interpretar o resultado e quando ele realmente muda a prevenção.
O escore de cálcio é uma tomografia do coração que procura cálcio nas placas presentes nas artérias coronárias, os vasos que levam sangue ao músculo cardíaco.
Essas placas se formam ao longo dos anos na parede das artérias, principalmente pelo acúmulo de colesterol e de outros componentes. É o processo que chamamos de aterosclerose, muitas vezes descrito de maneira mais simples como formação de “placas de gordura” nos vasos.
Quando essas placas acumulam cálcio, a tomografia consegue identificá-las e medir a quantidade de calcificação.
Por isso, o exame pode revelar algo importante:
Uma pessoa pode não sentir absolutamente nada e já apresentar sinais de doença nas artérias do coração.
Mas encontrar cálcio não é o objetivo final do exame.
A pergunta realmente importante é:
esse resultado mostra que meu risco cardiovascular é maior ou menor do que imaginávamos e muda alguma coisa na prevenção?
É aí que o escore de cálcio tem seu maior valor.
Resposta curta
O escore de cálcio é uma tomografia sem contraste que mede a quantidade de placa calcificada nas artérias do coração. Sua principal utilidade é ajudar a definir melhor o risco cardiovascular e, em algumas situações, mudar a intensidade da prevenção.
O que é o escore de cálcio?
O exame mede a quantidade de cálcio existente nas placas das artérias coronárias.
O resultado geralmente é apresentado como um número chamado escore de Agatston.
De maneira geral, quanto maior esse número, maior é a quantidade de placa calcificada presente nas coronárias e maior tende a ser o risco cardiovascular.
Mas é importante entender o que o exame mede e o que ele não mede.
Ele não mede o cálcio do sangue, não tem relação direta com a quantidade de cálcio que você ingere na alimentação e não significa simplesmente que a pessoa “tem cálcio demais no organismo”.
O que ele identifica é cálcio depositado dentro das placas que se formaram na parede das artérias ao longo dos anos.
O escore de cálcio é hoje uma das ferramentas mais bem estudadas para melhorar a estimativa de risco cardiovascular em pessoas selecionadas. Um estudo publicado em 2025 no JACC: Cardiovascular Imaging, por exemplo, mostrou que sua utilização pode mudar de maneira relevante a classificação de risco de pessoas nas quais a decisão preventiva ainda era incerta.
Para que serve o escore de cálcio?
Imagine duas pessoas da mesma idade, com colesterol e pressão arterial semelhantes e sem sintomas.
Quando calculamos o risco cardiovascular usando idade, colesterol, pressão, tabagismo e outros fatores, elas podem parecer muito parecidas.
Mas uma pode ter escore de cálcio zero.
A outra pode ter escore de 400.
Essas duas pessoas provavelmente não têm o mesmo risco cardiovascular.
É justamente aí que o exame acrescenta informação.
Ele pode mostrar que o risco de uma pessoa é maior ou menor do que parecia apenas pelos fatores de risco tradicionais.
As recomendações mais recentes reforçam esse papel. A diretriz americana de dislipidemia de 2026 passou a dar ainda mais importância ao escore de cálcio quando existe dúvida sobre a necessidade ou a intensidade do tratamento para reduzir o colesterol.
Em outras palavras:
Não faz sentido pedir o exame apenas para obter mais um número. Ele é mais útil quando o resultado pode mudar uma decisão.
Quem deve fazer escore de cálcio?
O escore de cálcio não é um exame obrigatório para todo adulto e não precisa fazer parte de qualquer check-up cardiológico.
Ele costuma ser mais útil em pessoas que:
- não tiveram infarto, AVC ou doença cardiovascular conhecida
- não apresentam sintomas sugestivos de doença coronariana
- têm algum risco cardiovascular, mas ainda existe dúvida sobre a intensidade da prevenção
- estão discutindo, por exemplo, se existe indicação de iniciar ou intensificar tratamento para redução do colesterol
Isso é chamado de prevenção primária: tentar evitar o primeiro evento cardiovascular.
A diretriz americana de 2026 utiliza atualmente o cálculo PREVENT para estimar inicialmente o risco cardiovascular. A partir daí, fatores adicionais e, em pessoas selecionadas, o escore de cálcio podem ajudar a tomar uma decisão mais individualizada.
A ideia importante não é decorar uma idade específica para fazer o exame.
A pergunta deveria ser:
o resultado terá potencial de mudar o que faremos depois?
Se a resposta for não, talvez o exame não acrescente muito.
Quem geralmente não precisa fazer?
Existem situações nas quais já sabemos que o risco é elevado ou que determinado tratamento está indicado.
Por exemplo, se uma pessoa já teve infarto ou possui doença cardiovascular aterosclerótica conhecida, não precisamos de um escore de cálcio para demonstrar que existe placa nas artérias.
A doença já foi demonstrada.
Da mesma forma, o exame tende a ter menos valor quando uma decisão de tratamento já está claramente definida por outras informações.
O escore de cálcio é particularmente interessante quando existe incerteza clínica.
Tenho dor no peito. Devo fazer escore de cálcio?
Essa é uma distinção importante.
O escore de cálcio foi desenvolvido principalmente para avaliação de risco em pessoas sem sintomas.
Quando existe dor no peito, falta de ar aos esforços ou outro sintoma que levante suspeita de doença coronariana, a pergunta é diferente.
Nesse caso, pode ser necessário avaliar se existem placas que provocam estreitamento das artérias e se elas estão prejudicando o fluxo de sangue.
Outros exames, como a angiotomografia coronariana ou testes para avaliação de isquemia, podem ser mais adequados dependendo do caso.
Portanto:
escore de cálcio não deve ser usado isoladamente para dizer que uma pessoa com sintomas não tem doença coronariana.
Como é feito o escore de cálcio?
É uma tomografia computadorizada do coração.
O exame é rápido e não invasivo.
Durante a aquisição das imagens, eletrodos são colocados no tórax para sincronizar a tomografia com os batimentos cardíacos.
Uma característica importante é que o escore de cálcio dedicado é realizado sem contraste iodado.
Por isso, ele é diferente da angiotomografia das coronárias.
Escore de cálcio precisa de contraste?
Não.
O exame específico para cálculo do escore de cálcio é feito sem contraste.
Essa é uma das perguntas mais frequentes e também uma das diferenças importantes entre o escore de cálcio e a angiotomografia coronariana.
Como interpretar o resultado do escore de cálcio?
A primeira divisão é relativamente simples:
- Zero: nenhuma calcificação coronariana foi detectada.
- Acima de zero: existe placa calcificada nas artérias coronárias.
A partir daí, quanto maior a quantidade de cálcio, maior é a quantidade de doença que já se acumulou nas coronárias.
Uma forma prática de entender os resultados é:
| Escore | Interpretação geral |
|---|---|
| 0 | Nenhuma placa calcificada detectada |
| 1 a 99 | Existe placa calcificada, geralmente em menor quantidade |
| 100 a 299 | Quantidade mais relevante de placa calcificada |
| 300 a 999 | Carga elevada de doença nas coronárias |
| ≥ 1.000 | Carga muito extensa de doença coronariana calcificada |
Essas faixas são úteis para compreensão, mas não devem ser interpretadas sozinhas.
Idade, sexo, colesterol, pressão arterial, tabagismo, diabetes, história familiar e outras condições continuam importando.
Além do valor absoluto, também pode ser importante observar o percentil, que compara aquele resultado com o esperado para pessoas semelhantes em idade e sexo.
O que significa escore de cálcio zero?
Escore zero significa que não foi encontrada placa calcificada nas artérias coronárias.
É um resultado bastante favorável.
Em muitas pessoas assintomáticas que estavam numa faixa intermediária de risco, o escore zero mostra que o risco cardiovascular de curto prazo é menor do que inicialmente imaginávamos.
Esse fenômeno é tão consistente que o escore zero pode, em situações selecionadas, influenciar inclusive a decisão de não iniciar imediatamente uma estatina. A diretriz americana de 2026 reconhece esse papel.
Mas existe uma frase que considero fundamental:
Escore zero não significa risco zero.
O exame detecta cálcio.
Uma placa pode existir antes de começar a calcificar, principalmente em pessoas mais jovens.
Além disso, tabagismo, colesterol muito elevado, diabetes, história familiar importante e outras condições continuam tendo relevância independentemente do resultado.
Por isso, não devemos transformar um escore zero em um “atestado de que as artérias estão perfeitas”.
Escore zero significa que não preciso tomar estatina?
Não necessariamente.
Em algumas pessoas, sim: um escore zero pode ser uma informação importante para decidir adiar o início do medicamento.
Em outras, não.
A decisão depende do conjunto da história clínica.
É exatamente por isso que o escore de cálcio funciona melhor como uma peça adicional do quebra-cabeça, e não como uma resposta isolada.
Escore acima de zero significa que eu já tenho doença nas coronárias?
Sim, com uma ressalva de linguagem.
Um escore acima de zero significa que foi identificada placa calcificada nas artérias coronárias.
Ou seja, o processo de formação de placas na parede das artérias já existe, mesmo que nunca tenha provocado qualquer sintoma.
Esse é um dos conceitos que ganhou maior destaque nas recomendações mais recentes.
A diretriz americana de 2026 passa a tratar a presença de cálcio coronariano não apenas como um marcador estatístico de risco, mas como evidência de doença aterosclerótica subclínica, isto é, doença presente antes de produzir sintomas.
O que significa escore entre 1 e 99?
Já existe placa calcificada.
Mas a interpretação depende muito da pessoa.
Um escore de 30 em uma pessoa de 75 anos não necessariamente carrega a mesma informação que um escore de 30 em alguém com pouco mais de 40 anos.
Em uma pessoa jovem, encontrar cálcio pode ser muito mais inesperado.
Por isso, em algumas situações, além do número absoluto também observamos o percentil.
O que é o percentil do escore de cálcio?
O percentil responde aproximadamente à seguinte pergunta:
comparado com outras pessoas da minha idade e sexo, esse valor de cálcio é alto ou baixo?
Isso é especialmente útil em pessoas mais jovens.
Um número que parece pequeno em termos absolutos pode estar muito acima do esperado para aquela idade.
As recomendações atuais dão importância especial a resultados acima do percentil 75.
Por isso, ao interpretar um resultado, não basta perguntar:
“Qual é o meu escore?”
Às vezes é igualmente importante perguntar:
“Esse escore é esperado para alguém da minha idade?”
Escore de cálcio 100 é alto?
É um resultado clinicamente relevante.
Um escore de 100 significa que existe uma quantidade já significativa de placa calcificada nas coronárias.
Nas recomendações americanas de 2026, um escore igual ou superior a 100 ou acima do percentil 75 passa a ter peso importante na decisão de iniciar tratamento para redução do colesterol.
Isso não significa que todo paciente com escore 100 receberá exatamente o mesmo tratamento.
Significa que agora temos uma evidência objetiva de que placas já se formaram nas artérias do coração.
A prevenção deixa de se basear apenas na probabilidade de desenvolver doença no futuro.
Já existe doença detectável.
Escore de cálcio 300 ou 400 é grave?
Esses valores representam uma carga elevada de placa calcificada.
Durante muitos anos, o valor de 400 foi amplamente utilizado como referência para escore alto.
Recomendações mais recentes passaram a dar bastante peso também ao limiar de 300.
A perspectiva publicada em 2026 sobre a nova diretriz americana destaca que cargas elevadas de cálcio, particularmente a partir dessa faixa, justificam estratégias progressivamente mais intensas de redução do risco cardiovascular.
Mas o número não deve provocar uma reação automática do tipo:
“Meu escore é 400, então preciso fazer um cateterismo.”
Não é assim que o exame deve ser interpretado.
O que significa escore acima de 1.000?
Significa que existe uma quantidade muito extensa de placa calcificada nas artérias coronárias.
Esses pacientes apresentam risco cardiovascular bastante elevado e merecem uma estratégia preventiva particularmente cuidadosa.
Mas, novamente, o escore não mostra exatamente quanto uma determinada artéria está estreitada.
Uma pessoa pode ter muita calcificação distribuída pelas coronárias sem que o escore, isoladamente, consiga dizer qual é o grau de obstrução de cada vaso.
Escore de cálcio mostra se a artéria está entupida?
Não.
Essa provavelmente é uma das confusões mais importantes em relação ao exame.
O escore de cálcio mede quanto de placa calcificada existe.
Ele não mede diretamente o tamanho do canal por onde o sangue passa dentro da artéria.
Portanto, um escore de 500 não significa “uma artéria está 50% entupida”.
São informações completamente diferentes.
Quanto maior o escore, maior é a probabilidade de existir doença coronariana importante, mas o número não permite determinar sozinho onde está uma obstrução ou qual sua porcentagem.
Qual a diferença entre escore de cálcio e angiotomografia coronariana?
Os dois exames utilizam tomografia, mas respondem a perguntas diferentes.
Escore de cálcio
- não utiliza contraste
- mede a quantidade de placa calcificada
- é usado principalmente para melhorar a estimativa de risco em pessoas assintomáticas
Angiotomografia coronariana
- utiliza contraste
- mostra com muito mais detalhes as próprias artérias
- identifica placas calcificadas e não calcificadas
- permite avaliar se existe estreitamento do vaso
Por isso, não são exames equivalentes.
Escore alto significa que preciso fazer cateterismo?
Não.
Um escore alto não é, sozinho, indicação de cateterismo.
O resultado mostra que existe uma carga importante de doença nas coronárias e que a prevenção deve ser levada muito a sério.
A necessidade de investigar obstruções depende de outras informações, principalmente sintomas e contexto clínico.
Essa é uma distinção importante porque um exame feito para avaliar risco não deve automaticamente desencadear uma cascata de procedimentos sem que exista uma pergunta clínica que os justifique.
O escore de cálcio serve apenas para decidir se devo tomar estatina?
Não.
Essa é uma de suas aplicações mais conhecidas, mas seria uma simplificação excessiva.
Encontrar placas nas coronárias pode mudar a maneira como avaliamos toda a prevenção cardiovascular.
Isso inclui:
- colesterol
- pressão arterial
- tabagismo
- atividade física
- peso
- diabetes
- alimentação
- outros fatores que aumentam o risco ao longo da vida
O exame pode transformar uma conversa abstrata sobre “probabilidade de desenvolver doença” em algo mais concreto:
já conseguimos enxergar sinais da doença nas próprias artérias.
A partir daí, a prevenção passa a ter outro peso.
Se o escore estiver alto, a estatina pode reduzir o número?
Esse não deve ser o objetivo do tratamento.
O escore de cálcio não funciona como colesterol ou pressão arterial, valores que esperamos reduzir ao longo do acompanhamento.
Uma vez que a placa está calcificada, não esperamos simplesmente que o número diminua com o tratamento.
Por isso, o sucesso da prevenção não deve ser avaliado esperando que o escore de cálcio caia.
O objetivo é reduzir o risco de infarto, AVC e outras complicações cardiovasculares, controlando os fatores que favorecem a progressão da doença.
Preciso repetir o escore de cálcio?
Não existe uma resposta única para todas as pessoas.
Se o exame já mostrou presença importante de placas e essa informação já mudou a estratégia de tratamento, repetir o teste apenas para acompanhar se o número aumentou costuma acrescentar pouco.
Quando o resultado inicial é zero, uma nova avaliação pode eventualmente ser discutida depois de alguns anos, dependendo da idade, dos fatores de risco e, principalmente, de uma pergunta fundamental:
o novo resultado teria capacidade de mudar alguma decisão?
Se não tiver, repetir o exame provavelmente acrescentará pouco.
O escore de cálcio prevê se eu vou ter um infarto?
Não.
Nenhum exame consegue olhar para uma pessoa e afirmar se ela terá um infarto ou quando isso acontecerá.
O escore trabalha com probabilidade.
Pessoas com grande quantidade de cálcio, em média, apresentam mais eventos cardiovasculares no futuro do que pessoas semelhantes com pouco ou nenhum cálcio.
É justamente essa capacidade de separar pessoas de maior e menor risco que torna o exame útil.
No estudo do Rotterdam publicado em 2025, o escore conseguiu mudar de forma relevante a classificação de risco de pessoas nas quais a decisão sobre prevenção ainda era incerta.
O exame previne infartos?
O exame, sozinho, não previne nada.
Ele produz informação.
Essa informação pode permitir que médico e paciente tomem uma decisão preventiva mais adequada.
Essa distinção é importante cientificamente.
Temos evidências muito robustas de que o escore de cálcio melhora a estimativa de risco cardiovascular. Também temos evidências muito robustas de que tratamentos como a redução do LDL diminuem eventos cardiovasculares em pessoas adequadamente selecionadas.
Mas ainda não foi demonstrado em estudos randomizados que realizar o escore e ajustar o tratamento com base nele, por si só, seja responsável por reduzir infarto, AVC ou mortalidade.
A análise publicada em Circulation após a diretriz americana de 2026 chama atenção exatamente para essa diferença entre melhorar a previsão de risco e demonstrar que uma estratégia guiada pelo exame melhora desfechos clínicos.
Isso não diminui a utilidade do escore.
Apenas coloca o exame no lugar correto.
Então, quando o escore de cálcio realmente vale a pena?
Para mim, essa é a pergunta central.
Antes de solicitar o exame, deveríamos imaginar alguns resultados possíveis:
- E se o escore for zero?
- E se for 50?
- E se for 150?
- E se for 600?
O que faremos diferente em cada situação?
Se a resposta for “nada”, provavelmente o exame não acrescentará muita coisa.
Se esses resultados tiverem capacidade de mudar a avaliação do risco e a estratégia de prevenção, existe uma boa justificativa para realizá-lo.
Essa talvez seja a melhor maneira de entender o escore de cálcio:
Ele não serve apenas para encontrar cálcio. Serve para tomar uma decisão melhor.
Em resumo
O escore de cálcio é uma tomografia sem contraste que mede a quantidade de placa calcificada nas artérias do coração.
Ele é especialmente útil em pessoas sem sintomas quando ainda existe dúvida sobre o risco cardiovascular ou sobre a intensidade da prevenção necessária.
Escore zero significa que nenhuma placa calcificada foi identificada e, em muitas situações, está associado a risco menor. Mas não significa ausência absoluta de doença nem risco zero.
Qualquer valor acima de zero demonstra que já existe placa calcificada nas coronárias.
Valores a partir de 100 ganham importância particular nas recomendações atuais e geralmente fortalecem bastante a indicação de tratamento para redução do colesterol.
Valores acima de 300 ou 400 representam carga elevada de doença.
O exame não mostra diretamente quanto uma artéria está obstruída e um escore alto não significa automaticamente que a pessoa precise fazer cateterismo.
No fim, o número só é realmente útil quando conseguimos responder à pergunta:
o que esse resultado muda na prevenção desta pessoa?
Dúvidas frequentes
Perguntas frequentes sobre escore de cálcio
Qual é o valor normal do escore de cálcio?
O menor resultado possível é zero, que significa ausência de calcificação coronariana detectável. Entretanto, idade, fatores de risco e percentil também devem ser considerados na interpretação.
Escore de cálcio zero significa que não tenho placas?
Significa que não foram encontradas placas calcificadas. Placas ainda não calcificadas podem existir, especialmente em pessoas mais jovens.
Escore de cálcio zero significa que não vou ter infarto?
Não. Significa risco menor em comparação com pessoas semelhantes que apresentam cálcio, mas não elimina completamente o risco.
Escore de cálcio 100 é alto?
É um resultado relevante. As recomendações americanas de 2026 dão peso importante a valores ≥100 ou acima do percentil 75 na decisão sobre tratamento para redução do colesterol.
Escore de cálcio 400 é grave?
É uma carga elevada de placa calcificada e está associada a risco cardiovascular significativamente maior. Deve ser interpretada junto com o restante do perfil clínico.
Escore de cálcio acima de 1.000 é muito alto?
Sim. Representa uma carga muito extensa de placa calcificada e identifica uma população de risco cardiovascular particularmente elevado.
Escore de cálcio precisa de contraste?
Não. O exame dedicado é feito sem contraste iodado.
Escore de cálcio é igual a angiotomografia?
Não. O escore mede cálcio. A angiotomografia utiliza contraste e permite avaliar diretamente as artérias, as placas e possíveis estreitamentos.
Escore de cálcio alto significa artéria entupida?
Não necessariamente. Maior quantidade de cálcio aumenta a probabilidade de doença coronariana importante, mas o escore não mede diretamente o grau de obstrução de uma artéria.
Escore alto significa que preciso fazer cateterismo?
Não. O número isolado não determina a necessidade de cateterismo.
O escore de cálcio pode diminuir?
Não utilizamos a redução do escore como objetivo do tratamento ou medida rotineira de sucesso da prevenção cardiovascular.
Preciso repetir o escore?
Depende. Repetir o exame só faz sentido se uma nova informação tiver potencial de mudar a conduta.
Referências
Referências científicas principais
-
Pavlović J, Bos D, Ikram MK, et al. Guideline-Directed Application of Coronary Artery Calcium Scores for Primary Prevention of Atherosclerotic Cardiovascular Disease. JACC Cardiovascular Imaging. 2025;18:465-475.
-
Watson KE, Fonarow GC. The 2026 American College of Cardiology/American Heart Association Multisociety Guideline on the Management of Dyslipidemia: A More Precise But More Complicated Framework for Atherosclerotic Cardiovascular Disease Prevention and Treatment. Circulation. 2026;153:1265-1267.
Sobre o autor
Dr. Rafael Côrtes
Cardiologista e intensivista, com atuação em prevenção cardiovascular, cardiologia clínica e cuidado de pacientes de maior complexidade.
Conhecer a trajetória
O resultado de um exame só ganha valor quando muda uma decisão.
A interpretação do escore de cálcio depende da idade, dos fatores de risco, do colesterol, da história clínica e daquilo que o resultado pode mudar na prevenção.
